Quais ações vocês desenvolvem na Casa da baronesa – Casa do Patrimônio?
Na Casa da baronesa – Casa do Patrimônio funciona o escritório técnico do IPHAN, e nós desenvolvemos outras ações, e uma delas que destacamos é o projeto Sentidos Urbanos Patrimônio e Cidadania, que é voltado para o público jovem e universitário da comunidade, para transformar o olhar nessa cidade que ele vive durante um tempo, são moradores temporários. É um projeto que trabalha com roteiros sensoriais, onde trabalhamos todos os sentidos pra passear pela cidade.
O que são roteiros sensoriais?
Quando saímos para olhar a cidade, utiliza só um sentido o olhar, e na realidade tem muitas outras formas de perceber a cidade, e através do tato, do cheiro, das sensações que a cidade nos proporciona, então por isso usamos alguns instrumentos para motivar essas sensações, e que a gente saia com esse olhar e foque em tudo a nossa volta, e amplia essa visão, então ele traz uma sensação diferente e a gente descobre coisas que a gente nunca viu na cidade que a gente vive.
Então é uma forma de educar através do sentir?
Justamente, então quando a gente sente modifica essa postura, seu olhar, sua sensação, e seu sentimento.
Houve mudanças no olhar desses jovens?
O que a gente está percebendo, é que temos pouco tempo com o projeto, ele começou em fevereiro deste ano, começamos primeiro trabalhando com os monitores, com 10 estudantes universitários, nos cursos de turismo e artes cênicas e a cada final de roteiro, vemos essa mudança de percepção. Algumas palavras como: redescobertas, encantamento, são sensações que estão sendo registradas no final de cada roteiro. É muito bacana no final a gente perceber até uma mudança. O participante entra falando: “odeio essa cidade, que é uma cidade velha, que não tem nada de atrativo”, e saí encantado com coisas que ele percebeu durante a atividade.
E para você, qual é a importância das Casas do Patrimônio?
Acho que é uma forma do IPHAN mudar a sua forma de trabalhar. A gente muda a forma de trabalhar a partir do momento que trabalhamos direto com a comunidade, até para que ela entenda, qual é o papel maior da instituição, que afinal de contas, teremos que falar ‘não’, mas explicar o porque que fala não. São formas diferentes de trabalhar, que podem mudar até o entendimento da comunidade com relação a instituição.
E o sobre o seminário o que está achando?
Primeiro é ótimo conhecer ao vivo a Fundação Casa Grande e ver realmente como é a rotina da Casa. E segundo poder experiências com colegas de outros lugares, a gente ler sobre, conversa com um, com outro, mas ninguém para a se deter no que está sendo desenvolvido, isso motiva, nos dá força pra gente voltar ao nosso lugar de trabalho e até repensar como vamos direcionar o nosso trabalho a partir de agora.



