
Em entrevista para a rádio Casa Grande FM e para o site do seminário, Márcia Rollemberg, fala sobre o surgimento e articulação do IPHAN no Brasil, focando também nas casas do patrimônio e no objetivo do seminário.
Valêsca Moura.: Como surgiu o IPHAN e qual a ligação com Mario de Andrade?
Márcia Rollemberg: O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional foi criado em 1937 com a responsabilidade de proteger e preservar a memória material do Brasil. Uma inspiração de Mario de Andrade porque na época do movimento modernista, foi uma época onde os brasileiros da classe artística expressaram toda uma identidade nacional e a importância de ter essa identidade nacional. A arte brasileira teve uma grande expressividade depois de voltar da Europa, mas assumindo com a nossa memória, com as nossas referências culturais, uma arte diferenciada. E o IPHAN surgiu com essa grande responsabilidade de manter através do tempo a nossa cultura, preservar o nosso patrimônio, e é assim que ele vem trabalhando há 72 anos de idade em instituição.
V.M.: Como é a articulação do IPHAN dentro do Brasil?
M.R.: O IPHAN é uma instituição que está presente em todo o país, existe uma superintendência em cada estado brasileiro, o ultimo decreto vem agora em maio e antes alguns estados não tinham. O IPHAN era regional, e hoje está presente em todos os estados. Além dos estados ele tem o Centro Nacional de Cultura Popular, o Sitio Bulermax no Rio de Janeiro, Centro Nacional de Arqueologia e está constituindo agora um centro regional em parceria com a UNESCO de formação para gestão do patrimônio. O IPHAN está atuando na parte de proteção do patrimônio material, imaterial; não somente as edificações, os acervos documentais, toda nossa cultural também se expressa no modo de viver, de fazer da comunidade, da sua arte do seu artesanato, culinária. Então o IPHAN tem o papel muito importante de preservar essa memória e que seja um processo feito junto com a comunidade. E agora em dezembro teremos o I Fórum Nacional de Patrimônio Cultural que marca o inicio dessa política de maneira mais articulada com o município, estados e com a sociedade civil, no sentido de envolver todos esses atores nessa grande proposta que é preservar e valorizar o nosso patrimônio.
V.M.: Qual a proposta da Casa do Patrimônio para a Fundação Casa Grande?
M.R.: A Fundação Casa Grande é um exemplo claro do que é uma Casa do Patrimônio. Por ser um local que é patrimônio histórico, e ao mesmo tempo trás para dentro desse espaço a população jovem, que vem aqui através do processo de recuperar essa memória, prospectar o futuro, que é ao mesmo tempo prospectar o que nos identifica para onde queremos ir. O papel da fundação aqui, tem sido para mim um grande aprendizado, pois foi criada com a ajuda da própria comunidade e agora ele se agrega a estas instituições públicas para se fortalecer, mais ela nasceu mesmo da força da comunidade. Essa é uma verdadeira casa do patrimônio. E a proposta do IPHAN é que possamos fazer dessas grandes iniciativas uma grande rede nacional, para compartilharmos essas experiências que trazem esse protagonismo da juventude, envolvendo também outras gerações.
E a proposta do IPHAN é trazer essa atitude mais educativa. Porque é importante que o patrimônio seja preservado para ser usufruído. E a Casa do Patrimônio é este lugar de refletir a nossa história de produzir coisas novas e ao mesmo tempo de pensar que Brasil nós queremos, diria que é um espaço de futuro.
V.M.: Como surgiu o projeto das Casas do Patrimônio?
M.R.: A Casa do Patrimônio é um contexto que amadureceu, mas já houve momentos na história que algumas experiências poderiam ser caracterizadas como Casas do Patrimônio. Porque o que caracterizaria é justamente essa atitude pedagógica no sentido de ser um espaço educativo, democrático e possa ser desfrutado pela própria comunidade e também um espaço de construção do conhecimento. Pois a partir do momento que temos o contato aos nossos registros e histórias podem convencer outras histórias de outros lugares do Brasil que tem relação com a nossa própria história, a gente cria, fortalece a nossa consciência comunitária e a pespectiva de está buscando objetivos comuns e buscando o desenvolvimento da sociedade.
V.M.: Qual é o objetivo do seminário?
M.R.: É reunir essas redes de experiências, porque temos aqui vários estados. Esses grupos que desenvolvem várias atividades nesse campo da educação, está reunido buscando compartilhar suas experiências, avaliar o que está dando certo, o que está dando errado, onde estão as dificuldades, potencialidades. E com isso que a gente se revitalize, para que possamos voltar para o nosso lugar de trabalho com possibilidade de está trabalhando de maneira mais articulada. Ao mesmo tempo como vai ter o fórum, e que agente possa levar algumas diretrizes nacionais que caracterizem essa ação educativa, para que a gente tenha alguns princípios e para quem queira em algum local implementar o projeto, ele possa ser implementado diante de uma filosofia, que é uma filosofia compartilhada por esse grupo que está construindo propostas de casas do patrimônio. Uma rede articulada de atores sociais em prol do patrimônio do Brasil.


