Leia a entrevista com Lane Aires de João Pessoa, onde ela compartilha conosco sua experiência na Casa do Patrimônio e suas impressões sobre o Cariri.
Valêsca Moura: Por que o nome João Pessoa minha cidade?
Lane Aires: Dentro das Casas do Patrimônio nós desenvolvemos ações educativas e uma delas é fundamental, que é a cidade, onde ela é o patrimônio do cidadão. João Pessoa minha cidade, traduz essa idéia, de que a cidade é patrimônio de cada pessoa, de cada morador, como patrimônio, como bem, como valor e precisa ser vista, cuidada, apropriada. Precisamos pensar e nos relacionar com a cidade como parte da nossa história porque é nela que vivemos.
V. M: Como surgiu esse projeto?
L. A: Surgiu com o tombamento da cidade de João Pessoa como patrimônio nacional. Hoje é minha cidade, capital do estado da Paraíba. Não é mais só um patrimônio das pessoas da cidade de João Pessoa, mais é patrimônio de todo Brasil. Pensar a história do Brasil é pensar também a nossa cidade. E como a cidade é patrimônio do Brasil, precisa antes de tudo ser patrimônio de cada um dos pessoenses. Por isso esse projeto, para abrir e dá possibilidade de que cada criança, cada pessoa, possa se relacionar com esse patrimônio tombado, também como patrimônio seu.
V. M: O que é o projeto?
L. A: O projeto envolve ações educativas, com escolas, com jovens, com os moradores do bairro do centro histórico. Trazendo exibições de cines volantes na rua, com histórias e documentários. Tem oficinas de arte, aulas de campo, formação dos professores, envolve na verdade o fazer da educação da cidade, colocando a educação patrimonial na agenda da cidade.
V. M: Quais as áreas de atuação?
L. A: Atuamos nas escolas, nas comunidades de bairro, nas associações, na dimensão das universidades, na formação e orientação dos professores, na ação direta com os alunos ligado ao patrimônio material e imaterial.
V. M: Vocês vêem uma mudança na vida das pessoas que vocês estão fazendo esse trabalho de educação patrimonial?
L. A: Já vimos essa mudança, mas a mudança fundamental que nós percebemos é que muitos jovens, adultos e crianças que não percebiam a sua cidade, a partir de hoje, olham, se encantam e por isso valorizam a cidade que vivem.
V. M: É a primeira vez que você vem ao Cariri? E quais suas impressões?
L. M: Sim. E a primeira impressão que tenho é: como é que descubro um paraíso chamado Fundação Casa Grande? É aquela idéia de que educação é possível e que os sonhos são realizáveis. O Cariri tem um ganho imenso, primeiro com o seu patrimônio da arqueologia – que trata a história do homem. E segundo por esse projeto excelente que nos instiga e nos leva a acreditar na possibilidade da realização de um mundo possível, um mundo de cooperação.
V. M: E sobre o seminário, ele está contribuindo?
L. M: O seminário está contribuindo muito. Primeiro porque está acontecendo aqui na Fundação Casa Grande, não é somente o discurso de ouvir falar, mas estamos vendo um projeto de articulação com a comunidade acontecendo. Segundo encontrar pessoas de todo o Brasil e conversar sobre as suas experiências, acumula, soma, e nos ajuda a pensar e a refletir melhor sobre as nossas.



